quarta-feira, 27 de maio de 2009

Bate Papo com Agricultores Familiares e algumas dúvidas sobre Agroecologia (Agroflorestas e PFNM)

Como uma das ações em Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER é a integração e troca de experiências nas comunidades e entre as famílias, apresento aqui uma conversa que se originou a partir da proposta de trabalhar SAFs e PFNM junto a agricultores em um assentamento. 

Esse “bate-papo” aconteceu entre os agricultores (homens, mulheres e jovens), em que tiveram a oportunidade de falarem do seu entendimento sobre a agroecologia, tirar suas dúvidas e colocarem algumas de suas experiências práticas no dia-a-dia da sua propriedade.

O que são AGROFLORESTAS?

São Consórcios ou mistura de plantas agrícolas com espécies de árvores e também com animais numa mesma área. Os Sistemas Agroflorestais ou SAFs como são chamados, possibilitam um maior equilíbrio ecológico, com proteção ao solo e aos recursos naturais, a diminuição no uso de insumos externos, a diversificação na produção tanto para a mesa do agricultor, como para geração de renda a curto, médio e em longo prazo.

O que são PFNM?

Os produtos florestais não madeireiros, como o próprio nome indica, são todos os produtos advindos da floresta que não sejam madeira, como: folhas, frutos, flores, sementes, castanhas, palmitos, raízes, bulbos, ramos, cascas, fibras, óleos essenciais, óleos fixos, látex, resinas, gomas, cipós, ervas, bambus, plantas ornamentais, fungos e produtos de origem animal. 

Durante esta troca, surgiram diversos questionamentos importantes em relação à agroecologia e o manejo de árvores dentro da propriedade rural. Por serem tão ilustrativos os receios dos agricultores, estes questionamentos merecem maior atenção.

É muito claro, por exemplo, o receio por parte de agricultores de inserirem mais árvores nas áreas produtivas de seus lotes (ou seja, fora de Áreas de Preservação Permanente (essas próximas nascentes e rios, etc. e Reservas Legais), que não poderiam ser mais manejadas, fazendo com que eles “perdessem” sua terra para os órgãos ambientais. Nesse caso específico dessas famílias, pela proximidade com uma Floresta Nacional, monitorada pelo IBAMA, isso se torna claro.

A esta questão levantada pelos participantes, procura-se orientá-los que: devemos sim, respeitar aquilo que está na lei, como proteger rios e lagos e reservas legais, etc. No demais, é direito do agricultor de utilizar aquilo que ele mesmo plantou. Também, como uma garantia, é sempre bom apresentar um projeto de cada área implantada aos órgãos ambientais fiscalizadores, para garantir este uso futuramente.

A conversa sobre a agroecologia foi mais no sentido de informar melhor para evitar mal entendidos e mostrar que essa prática só traz benefícios para os agricultores familiares equilibrando retorno econômico satisfatório e principalmente o auto-consumo, tudo em hamonia com a natureza.

Por isso é importante tornar claro que a agroecologia preocupa-se com a sustentabilidade ambiental, social, cultural e econômica do agricultor. 

Sobre a produção agrícola e o meio ambiente, falou-se sobre a importância do equilíbrio ecológico na produção, na manutenção da fertilidade do solo e no melhor planejamento da unidade familiar com diversificação para melhor aproveitamento da força de trabalho.

Dentro da questão social, a intenção é de criar condições para uma vida social e econômica mais justa, produzindo grande diversidade de alimentos para seu próprio consumo, garantindo a segurança alimentar da família, buscando a independência de insumos externos, gerando renda a partir de uma ampla gama de produtos, aos quais se pode agregar valor de diversas formas, organizando-se em grupos para escoar a produção, criando formas mais saudáveis de trabalhar a terra, e menos penosas para o próprio agricultor, etc. Enfim, buscando uma forma de vida em comunhão com a natureza e ganhando em qualidade de vida.

Analisando os problemas da produção dentro do modelo convencional, ouvimos muitos agricultores comentando dos problemas na forma como cultivam suas roças. Foi falado do uso excessivo do trator, dos herbicidas e dos adubos químicos, dos plantios individuais, etc., e também as reclamações sobre a “terra ruim”, o “solo fraco”.

Nesta questão, colocou-se a importância em procurar ter mais cuidado com o solo, principalmente quanto à manutenção de sua fertilidade; sobre a cobertura a exemplo de um solo da mata, sendo vital que este não fique exposto, protegendo-o de erosões, além da necessidade da rotação de culturas e de plantios consorciados.

Sobre Agroflorestas, é importante salientar duas idéias muito comuns que os agricultores têm quando se fala no assunto: a de que muitas coisas plantadas juntas somente “competiriam” entre si e a de que as árvores plantadas dentro destes sistemas ficariam crescendo intactas, gerando muito sombreamento e impedindo a produção de outras culturas.

Sendo assim, a reflexão sobre a agrofloresta iniciou-se com a observação dos aprendizados que a natureza nos fornece em uma mata próxima.

Nela podemos observar uma grande quantidade de espécies convivendo em equilíbrio e harmonia dentro de uma única área, a proteção e a “adubação natural” que a natureza oferece para o solo, que fica claramente vivo e com muita matéria orgânica. Ainda mais, buscamos demonstrar que espécies diferentes podem se ajudar entre si, exercendo cada uma diferentes funções.

 

A partir disso, conversou-se como isto pode ser e com isto, ter fartura de alimentos para a mesa, muitos produtos para serem transformados e com isso, gerar renda para as famílias, aproveitando melhor o espaço da propriedade.

No caso do manejo de agrofloresta, percebe-se que o agricultor tem certa dificuldade em compreender as funções que as plantas têm entre elas e para o sistema implantado. Neste caso, citamos ex. do plantio de adubação verde e de leguminosas que devem ser manejados e podados, assim como árvores que devem ser conduzidas conforme sua função (madeira, lenha, sementes, medicinal, adubação verde, sombreamento, etc.).

O que precisamos apreender é que é possível as espécies conviverem em conjunto e que precisamos praticar esses aprendizados ou mesmo, resgatá-los no nosso passado.

O que não podemos esquecer é que tudo aqui conversado, tem por único objetivo, conforme o que procuramos entender e que está inserido na agroecologia, que é estabelecer uma harmonia entre homem natureza e homem e bem estar de vida a partir da sustentabilidade.

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